Valor de mercado de empresas mais inovadoras cresce 9,5% ao ano em 5 anos

20/02/2020

Valor de mercado de empresas mais inovadoras cresce 9,5% ao ano em 5 anos

Criar novos produtos e serviços de forma rápida para atender aos anseios de consumidores bem informados e pouco fiéis é o principal desafio para as empresas. E nesse cenário, quando o assunto é inovação, as companhias brasileiras ainda engatinham, segundo pesquisa da Bain. Pelo estudo da consultoria, as empresas mais experientes em inovar conseguiram aumentar o valor de mercado em 9,5% ao ano entre 2014 e 2019. As menos, 0,5%.

A pesquisa da consultoria traz que quase oito entre 10 empresas ainda estão em estágio inicial desse tipo de iniciativa. O cenário brasileiro é praticamente o inverso do quadro mundial. Globalmente, as empresas nesse estágio são a minoria, representando pouco mais de um quarto da amostra (26,3%). A fatia é a mesma das que são classificadas como estando em um patamar avançado na aplicação da inovação. No Brasil, as empresas experientes representam apenas 3,6%. A pesquisa teve participação de mais de 1,2 mil executivos ligados a inovação nos seguintes países: Brasil, Estados Unidos, Reino Unido, China, Canadá, Japão, Alemanha, Austrália, Índia, Itália, Espanha e França.

De acordo com André Fernandes, especialista em estratégia e inovação da Bain, o atraso das companhias está ligado às limitações de recursos financeiros e de talentos para desenvolver novos projetos — seja dentro das empresas ou fora. “A volatilidade econômica ainda cria incertezas no curto prazo e tira foco de investimentos de prazo mais longo que não tenham impacto claro e imediato nos resultados”, diz Fernandes.

Segundo o levantamento da Bain, as iniciativas nas empresas brasileiras, em geral, são feitas por funcionários que não têm dedicação exclusiva ao tema, ou seja, dividem seu tempo e atenção com outras atividades dentro da empresa. Mais de 60% das empresas disseram trabalhar dessa forma, bem acima da média mundial, de 45%. De acordo com Fernandes, um dos problemas disso é que, na hora que as coisas dão errado, as empresas não sabem medir o que foi causado por desempenho do funcionário, ou o que é reflexo do momento do mercado.

As companhias tendem a apostar em poucos projetos tocados em paralelo, limitando seu potencial de ganhos. A pesquisa mostrou que investir em múltiplas abordagens — como fundos de investimento, aceleradoras, maratonas e desafios para desenvolver produtos ou serviços (hackathons) — dá mais resultado do que o esforço concentrado em algumas poucas iniciativas. Nas empresas mais experientes com o tema da inovação, a média mundial é de 4,4 iniciativas simultâneas — nas menos experientes, 1,8. No Brasil, são 3,9 e 2,6, respectivamente.

A variedade de abordagens é uma forma de diluir os riscos relacionados às iniciativas, ao mesmo tempo em que ajuda a potencializar seus resultados. Um projeto desenvolvido durante um hackathon, por exemplo, pode ser incubado por uma aceleradora interna, ou receber um aporte do fundo de investimento criado pela empresa caso haja interesse. Sem braços complementares, as iniciativas tendem a trazer pouco ou nenhum resultado.

Nas contas do professor Bob Sutton, da Universidade de Stanford, uma empresa precisa de pelo menos quatro mil ideias para chegar a duas ou três que tenham sucesso no mercado. “Se a companhia não abre o leque de abordagens, ela não consegue chegar a esse volume”, diz o professor, citado na pesquisa da Bain.

Para tentar mostrar concretamente o resultado da inovação, a Bain mediu a variação do valor de mercado de empresas que foram classificadas como experientes em relação a companhias que estão mais atrasadas. A conclusão é que as companhias do primeiro grupo tiveram avanço maior do valor de mercado entre 2014 e 2019, com taxa média anual de 9,5%. As menos habituadas a inovar, cresceram 0,5%.

Mas nem tudo está perdido para as empresas brasileiras. Um ponto no qual elas se destacaram é no relacionamento com ecossistemas externos. As empresas nacionais dizem atuar com mais parceiros (4,6, em média) do que as empresas de países desenvolvidos (3,7).

Na avaliação de Fernandes, apesar da defasagem atual, as companhias brasileiras tendem a diminuir essa distância rapidamente. “As empresas perceberam que a inovação é algo importante”, disse.

 

Fonte: Valor Econômico

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