Globalização 4.0 e revolução tecnológica

21/02/2019

Globalização 4.0 e revolução tecnológica

Globalização 4.0 e revolução tecnológica

Os holofotes da imprensa internacional no Fórum Econômico Mundial, realizado em Davos em janeiro passado, voltaram-se sobretudo para os desafios da OMC diante da guerra comercial entre Estados Unidos e China e de suas repercussões mundo afora. Não sem razão. Afinal, a entidade procura se modernizar, na tentativa de reduzir a nova onda de protecionismo que avança na contramão dos acordos de facilitação do comércio entre blocos e nações.

Mas alguém prestou a devida atenção ao tema central do evento? “Globalização 4.0: moldando nova arquitetura na era da quarta revolução industrial”, segundo consta no site oficial do fórum. Talvez a única grande repercussão sobre o assunto tenha sido a do milionário George Soros, em jantar paralelo ao evento, advertindo que as corporações ainda não assimilaram a rapidez das mudanças tecnológicas que vêm por aí.

Este artigo retoma a proposta original do Fórum, que reúne anualmente na Suíça as grandes economias mundiais para debater soluções aos muitos problemas emergenciais que afetam o planeta. Assim, perguntamos: por que a urgência em tratar a quarta revolução industrial e sua conexão com a globalização, em meio ao cenário geopolítico e comercial indefinido e mesmo turbulento pelo qual estamos passando? O que esse tema significa para o mundo?

Nas palavras do presidente executivo, Klaus Schwab, as mudanças tecnológicas da quarta globalização estão atingindo todas as nações e setores e exigem uma resposta global, cooperativa e compartilhada. Por isso, o quanto antes vier uma resposta, melhor. Porque elas vão mudar a vida mais cedo do que imaginamos. A complexidade das mudanças é tamanha a ponto de inovar os sistemas de produção, gestão e governança, a partir da utilização de inteligência artificial, big data, blockchain e internet das coisas, nanotecnologia, armazenamento de energia e migração para a economia de baixo carbono, anunciando ganhos em eficiência e produtividade até então inéditos.

E ainda que terminem com muitos mercados de trabalho, ao longo do processo, serão capazes de melhorar a qualidade de vida das populações porque o amplo deslocamento de trabalhadores poderá resultar em aumento de empregos recompensadores, deixando o esforço braçal para as máquinas. Os países mais conectados com esses processos disruptivos e as novas práticas de produção, gestão e governança estão avançando rapidamente em novos modelos de negócios, serviços e empresas.

Já o Brasil tem um longo caminho pela frente. No Índice de Competitividade Global de Talentos 2019, divulgado em Davos, ele ocupa o 72º lugar entre as 125 nações avaliadas. Caiu 12 posições – a maior queda da lista – na comparação da média entre os três primeiros anos e os três últimos dessa pesquisa realizada desde 2013. O país precisa se transformar em polo atrativo de criação de processos e produtos. E se preparar para competir no novo mundo, em que a Indústria 4.0, o machine learning e as impressoras 3D vão tornar as fronteiras comerciais cada vez mais permeáveis, as cadeias logísticas globais de transporte de cargas ficarão mais eficazes, seus custos cairão e a cada dia novos mercados serão abertos.

Governo e empresários devem se envolver de fato em programas de inovação tecnológica e consolidar parcerias público-privadas para aplicá-los nos mais diversos setores. Não há outro jeito de impulsionar o crescimento econômico e o desenvolvimento social. Também em consequência da nova onda de globalização e revolução tecnológica, nós na Abtra, como representantes do setor privado envolvido com a movimentação e armazenagem das cargas de importação e exportação nos portos e retroportos brasileiros, iniciamos a discussão sobre novos modelos de negócio no campo em que atuamos. Pois temos de considerar que o novo drive nesse segmento serão a otimização e a velocidade nos processos.

Em paralelo a esse debate e aproveitando a expertise acumulada ao longo dos 30 anos de atuação, estamos concentrando os esforços na aplicação de novas tecnologias para formatar no país o que chamamos de Portos 4.0. Eles incluem a mecanização inteligente e a utilização em larga escala de robôs para otimizar os processos e aumentar a segurança dos trabalhadores. Com isso, em parceria com os agentes públicos envolvidos com o setor, contribuímos para aprimorar o fluxo logístico portuário do comércio internacional no Brasil.

Por Protec.

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