“Estimular investimentos privados em P&D é um desafio comum aos países latino-americanos”, diz Marcos Cintra

07/07/2017

“Estimular investimentos privados em P&D é um desafio comum aos países latino-americanos”, diz Marcos Cintra

investimentos privados em P&D é um desafio comum aos países latino-americanos

Converter gastos públicos em pesquisa e desenvolvimento (P&D) em gastos privados, ou seja, em produto, valor, competitividade e aumento de produtividade. Na avaliação do presidente da Finep, Marcos Cintra, esse é um desafio comum à América Latina, que não pode ser enfrentado de forma isolada pelos países. O economista participou do painel de abertura do workshop "Agências de Inovação: O Caminho Adiante", promovido pela financiadora e pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), nos dias 6 e 7 de julho, no Rio de Janeiro, ao lado do representante do banco no Brasil, Hugo Florez Timoran. O evento também contou com a participação do diretor de Inovação da Finep, Victor Odorcyk, além de especialistas de mais de 15 agências de apoio à inovação da América Latina e da Europa.

 

Segundo Cintra, a América Latina possui 8,6% da população mundial, mas apenas 2,8% dos gastos globais em P&D. Em geral, os investimentos na atividade ainda são baixos e vem, principalmente, do setor público. “No caso brasileiro, estamos num ponto de esgotamento do Estado. Precisamos estimular a iniciativa privada a aportar recursos nessas ações, como acontece nos países desenvolvidos”, disse o economista. Ele lembrou que, em todo o mundo, os dispêndios públicos em P&D variam entre 0,40 e 0,90% do PIB, mesmo em países como Coreia do Sul e Estados Unidos. No Brasil, o gasto do governo em P&D em relação ao PIB é de aproximadamente 0,8%, contra 0,47% da iniciativa privada.

 

Para o presidente da Finep, a cooperação internacional é primordial para os países latino-americanos enfrentarem tal desafio. “Ainda predomina no Brasil a fase inicial da agenda de parcerias internacionais, com a realização de programas e processos de intercâmbio de estudantes, pesquisadores e técnicos de agências. Esse encontro organizado por nós e pelo BID marca o início de uma trajetória intensa de colaboração entre agências da América Latina, por meio de troca de experiências, conhecimento e aprimoramento das relações internacionais em prol da ciência, tecnologia, inovação e competitividade”, completou.

 

O economista espera que o Brasil avance no processo por meio da construção de programas conjuntos entre ICTs, empresas e ICTs-empresas nacionais e estrangeiras, para, por fim, chegar à terceira fase de cooperação internacional: o desenvolvimento de infraestruturas de pesquisa conjuntas.

 

"Agências de Inovação: O Caminho Adiante"

O seminário realizado no Rio reuniu especialistas de mais de dez países para discutir oportunidades de colaboração institucional e os caminhos necessários para implementar políticas de inovação nos países da América Latina.

 

As discussões aconteceram com base nos resultados do estudo comparativo homônimo "Agências de Inovação: O Caminho Adiante", realizado pelo BID, que será lançado em breve. O encontro destacou aspectos e resultados importantes das agências avaliadas, de forma a absorver o aprendizado adquirido e identificar oportunidades de colaboração institucional.

 

Temas como o acompanhamento dos assessores técnicos, o uso de instrumentos estratégicos para a diversificação produtiva, a promoção da inovação e o empreendedorismo de forma descentralizada, o uso de instrumentos reembolsáveis e a cooperação entre empresas e os centros de P&D estiveram na pauta das discussões. Outra proposta do workshop foi incentivar os participantes a criar uma rede regional de agências de inovação na América Latina e no Caribe.

 

Participaram do workshop, além da Finep e do BID, representantes das seguintes agências de inovação: ANII, Uruguai; ANPCYT, Argentina; Corfo, Chile; Conacyt, México; Innpulsa e Ruta N, Colômbia; Innóvate Perú, Peru; Senacyt, Panamá; Cainco, Bolívia; CDTI, Espanha; Innovate UK e Nesta, Reino Unido; University of Toronto e Irap-NRC, Canadá; Tekes, Finlândia; e ANI, Portugal.

Fonte: Finep

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